“E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas
Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai
tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de
Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando
uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar
os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava
cingido.” João 13:2-5”.
Jesus sabia que tinha todo o poder e que ninguém teria em si mesmo o
poder de tirar sua vida. Deus deu a Jesus autoridade sobre todas as
coisas e nada poderia ameaçar os planos dele. Até mesmo a traição de um
de seus amigos cooperaria para que os propósitos de Deus se cumprissem.
Jesus sabia sua origem, a quem pertencia, quem era e para onde
voltaria. Sua identidade estava segura, ainda que a traição e os
sofrimentos que ele estava por passar fossem tão dolorosos. Apenas quem
tem consciência de sua identidade consegue de fato se humilhar e servir
ao seu próximo.
Jesus lavou os pés empoeirados e mal cheirosos dos seus discípulos.
Como se sabe, lavar os pés de alguém era trabalho de um escravo. Os
escravos pertenciam a mais baixa escala social daqueles dias. No
contexto da opressão romana em que Israel vivia não seria possível que
eles tivessem escravos prisioneiros de guerras com outras nações. Logo, o
mais provável é que os escravos daquela sociedade fossem judeus mais
pobres se vendendo, como escravos, para pagar dividas, ou mesmo ladrões
condenados à servidão. Em suma, os devedores eram escravos.
Mas espere aí, Jesus não devia absolutamente nada a jovens
pescadores, andarilhos, traidores, ladrões, pecadores. Ele era um
mestre, e como se não bastasse, ele era o próprio Filho de Deus, o
Cristo, o Ungido tão esperado pelos judeus. Ele não devia nada a
ninguém, pelo contrário, as pessoas é que deviam honra e adoração a ele.
Porém, Jesus, o Santo Filho Ungido de Deus, lavou os pés empoeirados e
mal cheirosos dos discípulos pecadores, para demonstrar qual deveria
ser a atitude geral em seu reino. Neste reino não haveria a opressão dos
pequenos pelos mais poderosos, pelo contrario, o maior seria aquele que
prontamente serviria a outros. Nesse reino não haveria lugar para a
competitividade que rege e desgasta os relacionamentos humanos, haveria
uma ambiente de humildade, amor, serviço, solidariedade e cooperação de
uns para com os outros.
O fato de se humilhar, servir, se esvaziar, não prejudicava em nada a
identidade de Jesus, pelo contrário, mostrava claramente sua natureza
de “manso e humilde de coração”. Era como se ele dissesse: eu tenho
tanta certeza de quem eu sou que sou capaz de me humilhar ao mais baixo
escalão da sociedade para servir por amor a vocês, sem que isto
prejudique em nada minha identidade de grandeza, majestade, soberania e
poder absoluto.
Jesus não precisava se auto afirmar e nem necessitava da afirmação dos
homens, ele sabia que era o Ungido, o Filho de Deus. Mesmo sendo
absolutamente grandioso, ele é manso e humilde de coração.
Que outro rei é como ele? Quem é como ele? Por ser quem ele é no seu
reino apenas os humildes de espírito terão herança. Que esta reflexão
nos leve a reavaliar os princípios para os quais temos vivido nossas
vidas no tempo em que estamos. Hoje ouvimos muito, nas entrelinhas,
sobre o estilo ideal de vida: “ah, eu quero ser o maior. Ah, eu quero
ser o melhor, o mais alto. Quero ser o mais rico, quero ser o mais…”.
Que Deus nos ajude a ser mais como Jesus.
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