A Controladoria Geral do Município investiga um assessor especial da
Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo da gestão
Fernando Haddad (PT) por suspeita de enriquecimento ilícito e de manter
relações com a máfia do ISS (Imposto Sobre Serviços).
O titular da secretaria é Eliseu Gabriel, vereador licenciado pelo PSB.
O assessor especial, Tony Nagy, doou R$ 140 mil para a campanha a
vereador de Gabriel no ano passado, quando era assistente parlamentar
dele na Câmara. Desse montante, R$ 110 mil foram doados em dinheiro.
Gabriel diz não saber quanto ele ganhava no ano passado. Mas cargo
similar ao que ele ocupava recebia cerca de R$ 2.000 líquidos por mês
--ou seja, seria preciso cinco anos e oito meses sem gastar um centavo
para fazer uma doação de R$ 140 mil.
Só para se ter uma ideia do porte da doação de Nagy, o Itaú-Unibanco, o
segundo maior banco do país, contribuiu com R$ 30 mil na campanha de
Gabriel, que consumiu um total de R$ 1 milhão.
A lei prevê que uma pessoa física pode doar no máximo 10% dos seus
rendimentos brutos no ano anterior à eleição. Por essa regra, Nagy teria
de ter ganhos brutos de R$ 1,4 milhão em 2011.
Atualmente, Nagy recebe um salário bruto de R$ 4.852, mora numa
cobertura avaliada em R$ 1,5 milhão na Vila Romana (zona oeste) e,
eventualmente vai trabalhar com um carro novo da BMW, segundo
funcionários da secretaria ouvidos pela Folha.
Ele foi procurado desde anteontem pela reportagem, mas não foi localizado.
O ESPECIALISTA
Nagy diz ser especialista em regularização de imóveis, Plano Diretor e
em operações urbanas. Eliseu diz que foi por essa razão que o chamou
para trabalhar em seu gabinete. Diz que conhece Nagy "há muito tempo" e
que desconhece exatamente quais são as atividades extras dele.
A família de Nagy tem uma empresa chamada Aprov Projetos e
Regularizações de Documentos Ltda. No ano passado, figuravam como sócios
os dois filhos de Nagy, Nathalie e Bruno. O pai assina como testemunha
papeis da empresa na Junta Comercial.
Nathalie diz em sua página no Facebook que mora em Vancouver, no Canadá.
O irmão vive na cidade, mas se apresenta como presidente de uma empresa
que faz aplicativos para celulares.
Já o pai foi ouvido numa comissão da Câmara que preparava o Plano
Diretor, em 2010, como especialista em zoneamento urbano e outorga
onerosa, operação em que uma incorporadora paga à prefeitura para
construir mais do que seria permitido pela legislação.
A secretaria para a qual Nagy trabalha hoje cuida também da aplicação de
recursos de operações urbanas e de projetos estratégicos da prefeitura,
como a geração de empregos na zona leste.
INTERMEDIADOR
Uma das suspeitas investigadas pela prefeitura paulistana é que Nagy
teria agido como intermediador entre as incorporadoras e os fiscais
presos sob acusação de cobrarem propina para reduzir o valor do ISS de
imóveis.
Quatro fiscais foram presos no último dia 30 sob acusação de terem
provocado um prejuízo de R$ 500 milhões para os cofres públicos.
A advogada Verônica Horle Barcellos, irmã de Eduardo Barcellos, um dos
fiscais presos, também trabalhou no gabinete de Gabriel. Barcellos era o
responsável no grupo por manter contatos com políticos, segundo a Folha
apurou.
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