Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – Inaldo Sampaio
Alguns petistas ainda não entenderam o significado da candidatura do PSB à prefeitura do Recife. Ela é boa para o senador Humberto Costa porque ajuda a levar a decisão para o segundo turno. Um cenário com apenas o PT na disputa eleitoral levaria as oposições a uma chapa única, com risco de vitória no primeiro turno. Mas com o PT e o PSB no jogo, um dos dois irá ao segundo turno, onde os dois partidos selariam o entendimento tal qual se fez em 2006 na eleição para governador.
Se Humberto Costa for finalista, o PSB o apoiará. E se o finalista for este último, o PT não terá motivo para também não apoiá-lo. Esse filme já foi visto em Pernambuco quando Humberto Costa e Eduardo Campos disputaram o governo estadual em 2006. Ambos, inclusive, estiveram juntos num mesmo palanque, em Petrolina, ao lado do presidente Lula, que pediu votos para os dois. O candidato do PSB foi ao segundo turno e no dia seguinte recebeu o apoio do candidato do PT.
Se for o único candidato da Frente Popular, Humberto Costa fatalmente passará para o 2º turno, mas com quem iria se aliar? Neste cenário, as oposições teriam mais chance porque os três que ficarem no meio do caminho apoiarão o que for finalista. É isto que será dito a Lula pelo governador Eduardo Campos. Ou seja, que o PSB vai lançar candidato próprio para colaborar com o PT. Se Humberto for para o 2º turno, o PSB o apoiará. E se o finalista for o PSB, espera o apoio dos petistas.
Alerta 1 – Raul Jungmann vai procurar Roberto Freire (PPS), Marco Maciel (DEM), Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Sérgio Guerra (PSDB) a fim de alertá-los: se o PSB lançar candidato a prefeito do Recife, as oposições têm que se juntar sob pena de ficarem fora do segundo turno.
Alerta 2 – Jungmann parte do princípio de que se PT lançar um candidato (Humberto Costa) e o PSB lançar outro (Geraldo Júlio), ambos irão para o segundo turno, deixando as oposições fora do jogo. Daí ser a favor de que os candidatos oposicionistas reexaminam as suas estratégias.
O perfil – O PSB decidiu lançar Geraldo Júlio como seu candidato a prefeito com base em pesquisas qualitativas. Elas mostram que a maioria dos eleitores do Recife deseja eleger um candidato que tenha identidade com Eduardo Campos e que se proponha a pôr em prática o mesmo modelo de gestão do governo estadual. Por aí se chegou ao perfil do candidato.
Com o PSB – O PT estava na expectativa de obter o apoio de Armando Monteiro (PTB) à candidatura de Humberto Costa, mas o petebista, pragmaticamente, decidiu marchar com o candidato do governador. Era desejo dos petistas repetirem a mesma aliança do primeiro turno de 2006, quando os petebistas, quase à unanimidade, marcharam com o representante do PT.
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