Eleições acontecem neste final de semana
A expectativa pelo segundo turno da eleição presidencial no Egito, quando o primeiro presidente pós-Mubarak será escolhido nas urnas, os egípcios dão como certa a preferência dos cristãos pelo candidato secular Ahmed Shafiq, rival do islamista Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, no pleito deste sábado e domingo. Mas para alguns cristãos, a lógica não será seguida à risca e declararam ao Terra seu apoio ao candidato islâmico.
"Sou cristão mas não acho que me encaixo no perfil de grupo religioso amedrontado com islamistas. Votar em Shafiq apenas por ser secular e para barrar os islamistas é trair a revolução", declarou por telefone o cristão copta Kamal Zuheir, ativista e advogado.
Shafiq, ex-ministro de Hosni Mubarak, é visto como uma escolha natural dos mais de 8 milhões de cristãos no Egito, ou cerca de 10% da população, que teme que Mursi, uma vez escolhido, transformaria o país em um Estado islâmico e ameaçaria as minorias.
Mas segundo Zuheir, cristãos coptas estão sendo erroneamente associados à figura de Shafiq e a elite pró-Mubarak, ex-presidente que renunciou devido aos protestos populares em fevereiro do ano passado após 30 anos no poder.
"Associar os cristãos como elite é um grande erro. Muitos coptas sofrem dos mesmos problemas sociais e econômicos que os muçulmanos. Durante os anos de Mubarak, os cristãos sofreram abusos de direitos humanos e intimidações das forças de segurança", salientou.
Segundo ele, os fatos mostram que algumas das piores atrocidades comitidas contra a comunidade cristã aconteceram durante o regime de Hosni Mubarak. E embora a maioria da velha geração votou em Shafiq, o cenário não foi o mesmo com os jovens.
"Em geral, jovens cristãos ativistas votaram em massa para o candidato nasserista de esquerda Hamdeen Sabbahi porque era a lógica da revolução. Isso não quer dizer que um candidato como Mursi (Irmandade) não seria uma opção. E Shafiq não é uma opção obrigatória só porque somos cristãos".
Táticas
Segundo a imprensa egípcia, Shafiq parece ter percebido há tempos a estratégia de cultivar o voto cristão usando a tática do medo de um domínio islâmico no país. "Enquanto os outros candidatos enfatizaram o fato de sua filiação ao regime de Mubarak, Shafiq manipula o imaginário cristão de um extremismo islâmico e a necessidade de votarem nele (Shafiq) para sua própria sobrevivência", disse um colunista no diário Al Ahram.
O funcionário público cristão Nader Hatawyi disse ao Terra que já teve muitas discussões com amigos que disseram que votariam em Shafiq não importando suas ideias políticas ou programas de governo, mas apenas pelo fato de negar o poder aos islamistas.
"Eu falei para eles que votaria no Mursi (Mohamed) e que não temia a Irmandade e seria fiel à revolução. Afinal, não posso dizer que sou secular e, ao mesmo tempo, me declarar cristãos e ficar contra islamistas", disse.
Segundo pesquisas, no primeiro turno da eleição, uma pequena parcela de cristãos votou tanto em Mohamed Mursi quanto no outro candidato islamista, Abdel Moneim Abul-Fotouh.
É o caso da arquiteta Dima Kalil, que votou em Abul-Fotouh no primeiro turno e disse que votaria em Mursi no pleito do final de semana. "Votarei sendo coerente e fiel com a revolução. Não temo, sinceramente, um presidente islamista. Não me deixo levar por essa campanha do medo de Shafiq", enfatizou ela.
Dima revelou que familiares ficaram surpresos com ela quando revelou que votaria em candidatos islamistas. "Alguns ficaram alterados comigo, me acusaram de não me preocupar com a comunidade cristã. Um até me chamou de traidora. Mas eu me manti firme com minhas convicções", recordou.
Segundo estimativas, cerca de 60% do eleitorado cristão votou em Shafiq no primeiro turno, deixando 40% para a disputa entre os dois candidatos do segundo turno.
Samer Ahmed, escritor e intelectual cristão, acredita que os cristãos egípcios estão caminahndo para uma alienação. "Votar em Shafiq não trará garantias de direitos iguais das minorias e resolução de seus problemas. Poderá, sim, isolamento à comunidade e aumento de um sentimento anticristão", declarou ele ao Terra.
"E o isolamento levará os cristãos a serem uma minoria ainda mais discriminada".
da Missão em Cristo e Portal Terra
"Sou cristão mas não acho que me encaixo no perfil de grupo religioso amedrontado com islamistas. Votar em Shafiq apenas por ser secular e para barrar os islamistas é trair a revolução", declarou por telefone o cristão copta Kamal Zuheir, ativista e advogado.
Shafiq, ex-ministro de Hosni Mubarak, é visto como uma escolha natural dos mais de 8 milhões de cristãos no Egito, ou cerca de 10% da população, que teme que Mursi, uma vez escolhido, transformaria o país em um Estado islâmico e ameaçaria as minorias.
Mas segundo Zuheir, cristãos coptas estão sendo erroneamente associados à figura de Shafiq e a elite pró-Mubarak, ex-presidente que renunciou devido aos protestos populares em fevereiro do ano passado após 30 anos no poder.
"Associar os cristãos como elite é um grande erro. Muitos coptas sofrem dos mesmos problemas sociais e econômicos que os muçulmanos. Durante os anos de Mubarak, os cristãos sofreram abusos de direitos humanos e intimidações das forças de segurança", salientou.
Segundo ele, os fatos mostram que algumas das piores atrocidades comitidas contra a comunidade cristã aconteceram durante o regime de Hosni Mubarak. E embora a maioria da velha geração votou em Shafiq, o cenário não foi o mesmo com os jovens.
"Em geral, jovens cristãos ativistas votaram em massa para o candidato nasserista de esquerda Hamdeen Sabbahi porque era a lógica da revolução. Isso não quer dizer que um candidato como Mursi (Irmandade) não seria uma opção. E Shafiq não é uma opção obrigatória só porque somos cristãos".
Táticas
Segundo a imprensa egípcia, Shafiq parece ter percebido há tempos a estratégia de cultivar o voto cristão usando a tática do medo de um domínio islâmico no país. "Enquanto os outros candidatos enfatizaram o fato de sua filiação ao regime de Mubarak, Shafiq manipula o imaginário cristão de um extremismo islâmico e a necessidade de votarem nele (Shafiq) para sua própria sobrevivência", disse um colunista no diário Al Ahram.
O funcionário público cristão Nader Hatawyi disse ao Terra que já teve muitas discussões com amigos que disseram que votariam em Shafiq não importando suas ideias políticas ou programas de governo, mas apenas pelo fato de negar o poder aos islamistas.
"Eu falei para eles que votaria no Mursi (Mohamed) e que não temia a Irmandade e seria fiel à revolução. Afinal, não posso dizer que sou secular e, ao mesmo tempo, me declarar cristãos e ficar contra islamistas", disse.
Segundo pesquisas, no primeiro turno da eleição, uma pequena parcela de cristãos votou tanto em Mohamed Mursi quanto no outro candidato islamista, Abdel Moneim Abul-Fotouh.
É o caso da arquiteta Dima Kalil, que votou em Abul-Fotouh no primeiro turno e disse que votaria em Mursi no pleito do final de semana. "Votarei sendo coerente e fiel com a revolução. Não temo, sinceramente, um presidente islamista. Não me deixo levar por essa campanha do medo de Shafiq", enfatizou ela.
Dima revelou que familiares ficaram surpresos com ela quando revelou que votaria em candidatos islamistas. "Alguns ficaram alterados comigo, me acusaram de não me preocupar com a comunidade cristã. Um até me chamou de traidora. Mas eu me manti firme com minhas convicções", recordou.
Segundo estimativas, cerca de 60% do eleitorado cristão votou em Shafiq no primeiro turno, deixando 40% para a disputa entre os dois candidatos do segundo turno.
Samer Ahmed, escritor e intelectual cristão, acredita que os cristãos egípcios estão caminahndo para uma alienação. "Votar em Shafiq não trará garantias de direitos iguais das minorias e resolução de seus problemas. Poderá, sim, isolamento à comunidade e aumento de um sentimento anticristão", declarou ele ao Terra.
"E o isolamento levará os cristãos a serem uma minoria ainda mais discriminada".
da Missão em Cristo e Portal Terra
Nenhum comentário:
Postar um comentário