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17 junho 2012

PESSIMISMO DÁ O TOM DO DEBATE SOBRE POBREZA NA RIO+20


Terceiro debate do sábado levanta discussão sobre combate a desigualdades sociais do planeta

Valmir Moratelli , iG Rio de Janeiro 

A erradicação da pobreza como um dos pilares da construção de um mundo sustentável foi assunto do terceiro debate da série de “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”.
O evento foi criado para que especialistas debatam temas ligados à sustentabilidade, e as recomendações que resultarem dele serão levadas aos chefes de Estado e de Governo presentes na Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a se realizada de 20 a23 de junho.
Os palestrantes do terceiro debate de sábado (16) levantaram a discussão sobre o combate a desigualdades sociais do planeta. O brasileiro Marcos Terena, do Comitê Intertribal, criticou o modelo atual de gestão econômica.
“Nunca teremos desenvolvimento sustentável se pensarmos em padrões de consumo. O Mercado não pode ser a única maneira de relacionamento com a natureza”, disse.

A peruana Lourdes Huanca Atencio, integrante da National Federation of Women Rural Workers (Federação Nacional de Trabalhadoras Rurais), fez coro.
“Natureza não é mercadoria. Seres humanos não são produtos. A indústria quer lucro, exploração de bens e serviços, completou.
A professora da Universidad de la Republica, Judith Sutz, do Uruguai, defendeu a promoção de questões comunitárias para lutar contra a pobreza, além da transferência de alta tecnologia a serviço de uma maior igualdade entre os povos. Márcia Lopes, ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, defendeu que os governos assegurem a cobertura da saúde universal para alcançar o desenvolvimento sustentável.
Rio+40
Vieram de Portugal, do professor Boaventura de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, as críticas mais duras quanto ao tema.
“Não se pode pensar em desenvolvimento sustentável atrelado à economia atual. O capitalismo não funciona para isso. Já vimos que a economia vai dominar o capital verde. Não devemos pensar em economia verde para erradicar a pobreza, devemos pensar em um novo paradigma para o mundo. Sendo assim, temos que pensar na Rio+40, porque essa aqui já falhou”, disse.
O canadense Severn Cullis-Suzuki, representante da David Suzuki Foundation, também endossou o tom de pessimismo.
“O mundo está pior do que o de vinte anos atrás. E a ambição do documento oficial a ser gerado por esta conferência está menor. Isso é preocupante. Há vinte anos dizíamos que sustentabilidade é bom para a economia. Falhamos em não dizer que sustentabilidade é bom para justiça social”, disse.

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