Convocado pelo presidente da República, Giorgio Napolitano, para assumir o governo da Itália à beira da catástrofe financeira, após a renúncia a contragosto do desastroso primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o ex-alto dirigente da União Europeia Mario Monti não tem brincado em serviço.
Seu plano de austeridade e, simultaneamente, de investimentos públicos para reativar a economia incluem uma alta do imposto sobre consumo, a elevação do tempo de contribuição e da idade para os trabalhadores se aposentarem, a reintrodução de imposto predial, extinto por Beslucsoni, um aperto nas regiões e provínciais para que reduzam cargos públicos, pesados impostos sobre a propriedade de carros de luxo, aviões privados e helicópteros e até a possibilidade de diminuir o tamanho das Forças Armadas.
Ah, também cortou sete dos 24 ministérios então existentes.
Monti ainda tomou uma atitude rara, raríssima em políticos de todo naipe e de qualquer país: renunciou aos dois salários dos cargos que acumula – os de primeiro-ministro e ministro da Economia, muitíssimo bem pagos na Itália. Não é nada, não é nada, são cerca de 30 mil euros por mês (73.500 reais).
Ao explicar o gesto, Monti disse que “no momento em que exigimos sacrifícios de todos os cidadãos”, esse pareceu-lhe ser seu “dever”.
Como não pode viver de brisa, e precisou abandonar atividades privadas para assumir o cargo – é professor e exercia funções de conselheiro do conclomerado financeiro Goldman Sachs –, Monti ainda recebe confortabilíssimos 15 mil euros (36,7 mil reais) mensais como senador vitalício, senatore a vita, como se diz na Itália, para o qual foi designado pelo presidente Napolitano.
do Blog de Ricardo Setti
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