Dono
do título de presidente mais pobre do mundo, José Pepe Mujica manteve
suas promessas de campanha e segue descartando a importância do dinheiro
em sua vida.
Vários líderes
mundiais vivem em palácios. Alguns gozam de regalias como ter um mordomo
discreto, uma frota de iates ou uma adega com champanhes vintage.
E há José Mujica, o ex-guerrilheiro que é presidente do Uruguai.
Ele mora numa casa deteriorada na periferia de Montevidéu, sem empregado nenhum.
Em uma
declaração deliberada a essa nação pecuarista de 3,3 milhões de pessoas,
Mujica, 77, rejeitou a opulenta residência presidencial de Suárez y
Reyes, com seus 42 empregados, preferindo permanecer na casa onde mora
há anos com a mulher, num terreno onde eles cultivavam crisântemos para
vender em mercados locais.
Mantém suas
mesmas roupas, costumes, amizades e possuí apenas dois patrimônios, sua
casa e um velho fusca celeste, avaliado em cerca de US$ 1.000. Assim
como seu esposo, a primeira-dama e senadora Lucía Topolanksky também doa
uma parte do seu salário para instituição de caridade.
Mujica vive com
US$ 1.250 mensalmente. “Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque
há outros uruguaios que vivem com menos”, disse o presidente em
entrevista ao jornal El Mundo.
Ele nunca usa gravata e doa cerca de 90% do seu salário, principalmente para projetos de habitação popular.
Para que a
democracia funcione adequadamente, argumenta Mujica, os líderes eleitos
deveriam ser postos um degrau abaixo. "Temos feito todo o possível para
tornar a Presidência menos venerada", disse ele.
A polícia o
capturou em 1972, e ele passou 14 anos preso, sendo mais de uma década
em confinamento solitário, às vezes num buraco no chão. Passava mais de
um ano sem tomar banho, e seus companheiros, segundo conta, eram uma
perereca e ratos com os quais ele partilhava migalhas de pão.
Mujica
raramente fala sobre a sua época na prisão, que diz ter sido um tempo
para refletir. "Aprendi que sempre se pode recomeçar."
Ele entrou para a política e, em 2009, ganhou a eleição por ampla margem.
As doações que
faz o deixam com um salário em torno de US$ 800. Mujica disse que ele e a
mulher, a senadora Lucía Topolansky, uma ex-guerrilheira que também
esteve presa, não precisam de muito para viver.
O Uruguai
aparece consistentemente entre os países mais seguros, menos corruptos e
menos desiguais da região. Sua economia continua crescendo
confortavelmente, a uma taxa de 3,6% ao ano. Mas nem todos aprovam o
estilo de Mujica.
A proposta de
legalizar a maconha, em especial, provocou um inflamado debate, e as
pesquisas mostram que a maioria dos uruguaios se opõe.
Ateu A precária saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez conseguiu o que muitos uruguaios consideram um milagre: levar o presidente de seu país, José Mujica, ateu convicto, à missa para pedir a recuperação do líder caribenho.
“Eu ainda não fui capaz de acreditar em Deus. Se existe um ser tão poderoso, espero que Ele ajude os pobres da América Latina dando saúde a Cháves", declarou o presidente.
Ateu A precária saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez conseguiu o que muitos uruguaios consideram um milagre: levar o presidente de seu país, José Mujica, ateu convicto, à missa para pedir a recuperação do líder caribenho.
“Eu ainda não fui capaz de acreditar em Deus. Se existe um ser tão poderoso, espero que Ele ajude os pobres da América Latina dando saúde a Cháves", declarou o presidente.
Simplicidade a toda prova
Mujica vive de
forma espantosamente simples, apesar de presidir um dos países mais
importantes da América do Sul, nunca usa gravata (é quase sempre uma
camisa branca com casaco) e convive com os mesmos amigos de antes da
eleição que o conduziu ao poder.
É capaz de
pegar o Fusca, ir até uma loja de ferragem comprar um acessório de
banheiro e, no caminho, parar em um pequeno estádio para animar os
jogadores do Huracán, time da segunda divisão, e prometer um churrasco
caso subam para a Série A.
No ano passado,
por ordem de Mujica, uma moradora de rua e seu filho foram instalados
na residência presidencial, que ele não ocupa por seguir morando no
sítio. Ela só saiu de lá quando surgiu vaga em uma instituição.
Neste início de
inverno, a casa e o Palácio Suarez y Reyes, onde só acontecem reuniões
de governo, foram disponibilizadas por Mujica para servir de abrigo a
quem não tem um teto. Em julho do ano passado, decidiu vender a
residência de veraneio do governo, em Punta del Este, por 2,7 milhões de
dólares. O banco estatal República comprou e transformará a casa em
local de escritórios e espaço cultural. Quando ao dinheiro, será
inteiramente investido – por ordem de Mujica, claro – na construção de
moradias populares, além de financiar uma escola agrária na própria
região do balneário.
O que me causa
profunda admiração no caso de Mujica, independentemente das razões
destacadas acima, é ver alguém que se recusa a renunciar a suas próprias
convicções, mesmo desafiando todas as regras do protocolo. Ele pensa
nestes princípios, lutou a vida inteira por eles, arriscou sua segurança
e de sua própria família, por que mudar logo agora?
Foi eleito por
isso, certamente, por suas ideias e estilo de vida. Dane-se a liturgia
do cargo, deve pensar este uruguaio. Para Mujica, ela não tem
importância. O que importa, acima de tudo, é dormir com a consciência
tranquila (…).
O mundo seria
um lugar bem melhor e, com toda a certeza, muito mais pacífico se
tivéssemos outros Mujicas conduzindo países por aí.
do The New York Times/Uol/Yahoo Notícias/Veja

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