Hoje estava prevista a maior aproximação que um asteroide já fez à Terra. O 2012 DA14 passou a uns 27 mil km da superfície do planeta, ficando mais perto até do que os satélites de comunicação em órbita geoestacionária.
Eis que pela manhã começam a chegar relatos, um tanto desencontrados,
de que uma chuva de meteoros teria atingido uma cidade nos Montes
Urais. Chuva de meteoros não poderia ser, um meteoro seria extremamente
improvável. Pensei logo na queda de um pedaço de foguete, ou outro
artefato.
Depois foi confirmado que um objeto, de no máximo 5 metros de tamanho
teria explodido sobre Cheliabinsk ferindo por volta de mil pessoas. O
que era extremamente raro se confirmara! Os detalhes, você pode
acompanhar na cobertura do G1.
Mas como esse objeto caiu assim sem aviso?
Os projetos de monitoração de objetos próximos à Terra (NEOs em
inglês) varrem os céus procurando objetos que possam representar algum
perigo para o planeta. Esses são os objetos com mais de 10 metros de
tamanho, em especial os maiores que 50 m. Esses objetos maiores, são
chamados de asteroides potencialmente perigosos. Quanto maior for um
asteroide, maior o estrago que pode provocar, mas também, mais fácil de
achá-lo. Esse na Rússia tinha poucos metros de tamanho, muito difícil de
observar, por isso caiu sem mandar recado. Um outro parecido com esse
foi descoberto um dia antes de cair sobre a África e foi o primeiro caso
em que foi feita a detecção, foi observado o seu ingresso na atmosfera e
posteriormente foram coletados fragmentos.
Mas e aí? O quê caiu na Rússia, um bólido? Um meteoro? As nomenclaturas se confundem um pouco, mas é assim.
Qualquer corpo que esteja “boiando” no espaço, quer seja um grão de poeira, uma pedra de meio metro, ou um estágio de foguete com alguns metros de tamanho é chamado de meteoroide. Se esse meteoroide entrar na atmosfera e for avistado se queimando, chamamos de meteoro.
Popularmente, as estrelas cadentes. São compostos, na grande maioria,
por destroços de cometas e dão origem às famosas “chuvas de meteoros”
que volta e meia eu comento aqui no G1. Agora, se um desses meteoros sobreviver ao atrito com a atmosfera e conseguir chegar ao solo, ele se chamará meteorito.
Até agora, o que caiu sobre Cheliabinsk deve ser tratado como um
meteoro, explodindo em milhares de fragmentos. Se esses fragmentos forem
encontrados, eles serão chamados de meteoritos. Alguns relatos de
recuperação de fragmentos já estão circulando, mas ainda não se
confirmaram.
A pergunta que foi repetida exaustivamente ao longo do dia foi se
esse meteoro tinha alguma ligação com o asteroide 2012 DA14. Apesar de
ser uma possibilidade plausível, análises da trajetória dos dois objetos
mostram que eles não poderiam ter qualquer relação. A órbita do DA 14
tinha sentido norte-sul e o meteoro entrou na atmosfera no sentido
oeste-leste. Teria sido apenas uma coincidência. Uma baita coincidência.
Agora, mais para o final da tarde, chegou um relato que um outro
meteoro teria explodido sobre Cuba, mais de 12 horas depois do ocorrido
na Rússia. Essa informação
ainda precisa ser confirmada . Mesmo que isso não aconteça, o dia 15 de
fevereiro de 2013 já se tornou um dia épico na história.
do G1
Cássio Barbosa é doutor e pós-doutor em astronomia e leciona na Universidade do Vale do Paraíba.

Nenhum comentário:
Postar um comentário