Do Blog do Renato Riella
No
Facebook, um jornalista contou história interessante (acho que foi Tão
Gomes Pinto). Disse que Jânio Quadros, quando prefeito de São Paulo,
queria eleger Silvio Santos para ser seu sucessor. Marcou um jantar com
ele e foram conversando. Em determinado ponto, Jânio perguntou a Sílvio:
“E como o senhor pretende aprovar na Câmara de Vereadores os projetos
mais importantes da sua gestão?”
O
homem de TV empostou-se e disse: “Os projetos apresentados serão
realmente importantes e por isso todos os vereadores deverão mesmo
aprová-los”.
Depois disso, Jânio mandou servir o jantar e nem falou nada sobre candidatura. Sílvio seria sempre um bom homem de TV.
A
analogia se aplica à presidente Dilma, que tentou impor um projeto de
reforma dos portos à Nação no estilo Sílvio Santos. Jânio, que renunciou
à Presidência da República porque se sentiu impotente para enfrentar um
Congresso Nacional de raposas felpudas, teria pena dela se estivesse
vivo.
Graças
à grande cobertura que a TV Globo deu à crise dos portos, na exportação
de soja e outros produtos, todos sabemos que a proposta de Dilma
Rousseff é importante. Só não sabemos ainda qual foi e qual é a
proposta. Isso porque ela, tal como Sílvio Santos, encastelou-se na sua
auto-certeza e não tentou vender suas “ideias geniais” para ninguém.
Por
que a presidente Dilma não deu uma entrevista coletiva à imprensa sobre
a reforma dos portos? Por que não enviou a sua proposta por meio de
projeto de lei, em regime de urgência, em vez de usar a figura
desgastada da medida provisória?
Porque
ela vive no estilo Sílvio Santos de se relacionar com o Legislativo,
onde se exige negociação, entendimento, pressão da opinião pública,
pressão das áreas empresariais organizadas, etc. Não se aceita governo
administrativo.
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