Por *Adriano Oliveira
Desde 2002, o PT está à frente da presidência da República. Em junho
de 2005, em razão do escândalo do mensalão, o ciclo petista foi
ameaçado. Nesta época, variados atores políticos prognosticaram a
interrupção da era Lula e o retorno do PSDB ao poder. Porém, Lula
conseguiu criar estratégias discursivas que possibilitaram a manutenção
do PT na presidência da República. Lula é reeleito em 2006 e deixa o
governo em 2010 com recorde de popularidade.
Dilma é eleita presidenta da República com o apoio de Lula em 2010.
Por cerca de dois anos manteve a popularidade em alta num contexto de
crescimento econômico baixo e ameaça inflacionária. Em junho de 2013,
manifestações ocorridas em variadas capitais do Brasil possibilitaram,
junto com outros fatores, a redução da popularidade de Dilma. Pesquisas
recentes mostram que o governo Dilma tem em torno de 30% de aprovação.
Neste momento, a indagação que surge é: é possível o fim do petismo
em 2014? O fim do petismo pressupõe o fim da era petista à frente da
presidência da República. Tal evento poderá ocorrer caso um dos cinco
fenômenos venham a acontecer, quais sejam: 1) Não recuperação da
popularidade de Dilma; 2) Ressaca (cansaço) eleitoral para com o PT; 3)
Recuperação da popularidade de Dilma, mas ressaca com o PT; 4) E não
recuperação da popularidade de Dilma e ausência de ressaca para com o
PT; 5) Não recuperação da popularidade de Dilma e eleitores com ressaca
do PT.
Observem que distingo os fenômenos. O eleitor poderá realizar
escolhas desconsiderando o partido ou desconsiderando o competidor.
Noutros casos, o eleitor realizará a sua escolha, considerando o partido
e o competidor. Tais eventos surgem em virtude da seguinte hipótese: o
petismo existe em parte do eleitorado brasileiro e foi fortalecido em
dadas regiões, como o Nordeste, em virtude do lulismo. Sendo assim, o
partido PT importa para explicar, em parte, o comportamento do eleitor.
Caso o primeiro fenômeno ocorra, não existirão espaços para novos
candidatos. A maioria dos eleitores optará pelo suposto porto seguro.
Com isto, Dilma será reeleita. Se o segundo fenômeno vier a acontecer,
Dilma sofrerá as consequências. Com isto, três outros eventos surgem, os
quais mostram relações interdependentes entre o desempenho de Dilma e o
petismo.
A recuperação da popularidade de Dilma poderá ocorrer, mas pesquisas
podem revelar ressaca para com o PT. Diante deste cenário, tenho a
hipótese de que os candidatos da oposição adquirem chances de vencer a
disputa. Se não ocorrer a recuperação da popularidade de Dilma, mas a
ressaca para com o PT não existir, surge contexto propício para o PT
ofertar um novo candidato aos eleitores brasileiros. E se a ressaca com o
PT existir junto com a não recuperação da popularidade de Dilma, algum
candidato da oposição tende a vencer a disputa eleitoral.
Os argumentos apresentados foram construídos com base na dinâmica da
última eleição para prefeito do Recife. Pesquisas realizadas mostraram,
inicialmente, o então prefeito João da Costa (PT) mal avaliado. Porém,
os eleitores desejavam que o PT continuasse à frente da prefeitura. No
decorrer da campanha, pesquisas detectaram considerável diminuição dos
eleitores que desejavam a continuidade do PT. E o prefeito manteve alta
rejeição. Conclusão: o PT perdeu a eleição na cidade do Recife.
Adriano Oliveira é professor universitário, consultor e cientista político
do Blog de Inaldo Sampaio
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